quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Sobre a (doce) infância...

Os tempos mudam a realidade, o entendimento! Não se fazem mais crianças como antigamente? Fazem... Neste extenso mundo de meu Deus nem tudo é globalização, há ainda àquelas que crescem com direito ao que existe de melhor, e não me refiro a apartamentos em grandes cidades, brinquedos eletrônicos e colégios em horário integral! Refiro-me àquela infância lúdica, com café no bule, terreno pra brincar, árvore pra subir! Poder ir à casa do amiguinho e passar a tarde inteira correndo pra depois tomar café com bolinho de chuva! Relembrar a minha infância é a melhor maneira de comemorar o dia das crianças! Passou? Não, não passou... O dia das crianças deveria ser comemorado todos os dias, dia de lutar pelo direito e pela dignidade de tantas que não sabem o que é infância! Quantas crianças jamais, quando adultas, poderão ter as mesmas doces lembranças que eu tenho? Da escola, da piscina de plástico, de pular amarelinha e querer chegar no "céu", de brincar de esconde-esconde a noite na rua, de pega-pega, de ter um lugar em que nada te atinge como o "fraio", do vôlei improvisado, dos pés de tangerina, do balanço na árvore da casa da minha melhor amiga, de colecionar papel de carta, de jogar stop, de ler a coleção vaga-lume inteirinha, de imaginar... Imaginar que a rede era a carruagem, que o *pletsema era uma floresta cheia de perigos, que o porão era uma caverna, que o sótão era uma casa mal assombrada... Das reuniões com meus primos, do nosso clube, do nosso "QG" feito com folha de bananeira, da casca do coqueiro pelo qual descíamos escorregando a tarde inteira pelos morros no sítio do meu opa, que, diga-se de passagem, era melhor do que qualquer "mini fazenda", da canoa na lagoa, das tardes na cachoeira com direito a piquenique, de dar mamadeira pros bezerros...E o assoalho de madeira da casa da minha oma? Virava pista de patins! Do fogão a lenha e do pinhão que ali fazíamos em todas as férias de julho! Da variant azul do meu opa, que nos transportava pra cima e pra baixo com o melhor de Tonico e Tinoco como trilha sonora! De dar banho nos cachorros, colecionar figurinhas e fazer até um comércio negro na troca das mesmas... De pegar carona cedinho com o padeiro, pendurados atrás da rural pra economizar 200 m de caminhada... Das festinhas juninas... Do culto infantil, voltávamos brincando de “siga o líder” pra casa! Tudo era brincadeira! Se me perguntarem o que eu menos fiz quando era criança a resposta é, sem dúvida: Fiquei dentro de casa! Eu vivia na rua, brincando e correndo e andando de bicicleta... Acho divertido até relembrar dos castigos e das tarefas... Como meu opa tinha uma padaria/mercearia, para meu primo poder brincar tinha que fazer algumas "tarefinhas" antes, como ensacar cebola e batatinha em embalagens com 500g, mas, nós éramos ninjas no trabalho! Nos sentíamos naqueles portos e feiras cheios de mercadorias... Trabalhávamos em conjunto e quando víamos, já estávamos de novo "brincando".... Éramos uma espécie de Macgyver's juvenis que transformavam tudo a seu favor... Fomos os Tchengiman's, os Power Ranger's, os ThunderCats e tantos outros personagens de desenhos animados!!! E os castigos? Sentavam-nos um em cada cadeira sem direito a conversa e só poderíamos levantar quando os nossos pais, avós, decidissem...Em menos de um minuto estávamos brincando de mímica! Foi, sem dúvida, uma infância feliz... Tanto que ela sempre é motivo de alegria quando me encontro com aqueles que fizeram parte dela e cresceram comigo! Eu poderia escrever um livro com as histórias deste tempo tão doce e suave, mas, a intenção é por alguns instantes sentir aquela mesma emoção e agradecer por ter sido criança de verdade!! Feliz dia das crianças! *pletsema: Tentei encontrar a grafia correta, mas como se trata de uma expressão em alemão, quase uma gíria, não encontrei! Significa um quarto de bagunça, de passar roupa, algo assim.

Um comentário:

  1. Sem palavras, disse tudo e mais um pouco.

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